domingo, 13 de dezembro de 2015

Capitulo 24


Lola me ligou, havia acabado de chegar em BH.
- Oi Luan, aqui é a Lola, amiga da Helena.
Eu tinha sorte, finalmente ia ter notícias da minha pequena, saber onde podia encontra-la.
- Oi Lola, é muito bom falar com você, já estava desesperado.
Ela suspirou de um jeito pesaroso do outro lado.
- Não sei se estou fazendo o coisa certa, na verdade acho que a Heli vai me matar, mas não consigo ver ela lutando sozinha, te ignorando como se não te amasse.
Ela me ama? Estava lutando? Pelo quê?
-Os que você está falando, tá me assustando.
Ela gaguejou.
- Olha você tem que ve-la, tem que vir pra BH.
Meu Deus, o que estava acontecendo?
- Já estou aqui, acabei de chegar, me dá o endereço, vou direto pra lá.
Ela consentiu.
- Ah e Luan?
- Oi.
- Não seja um idiota, por favor.
Eu não sabia do que se tratava, a voz de Lola era chorosa.
- Vou tentar.
Desliguei o telefone e peguei o primeiro táxi em direção a casa da minha menina.
Meu coração apertado pelo medo e angústia.

Helena narrando
Acordei bem melhor, ver meu rosto no espelho dava uma tristeza danada, que falta fazia o meu cabelo, também estava puro osso e marcas rochas.
"Você não vai conseguir Helena, vai morrer com 20 anos, sem nunca ter sido mãe, sem nunca ter visto o mar. "
Aquela voz dentro da minha cabeça zombava de mim o tempo todo.
- Mãe, tira esse espelho daqui, pelo amor de Deus.
Ela saiu levando o objeto, os olhos tão fundos quanto eu. A doença estava acabando não só comigo.
Coloquei um lenço que cobria toda a cabeça. Me afundei entre os lençóis com o corpo doendo. Já não tinha forças pra sair da cama.
"Onde ele está agora? "
Lembrei do Luan segurando a minha mão, sorrindo pra mim no saguão do hotel, a ultima vez que nos vimos.
Naquela época não muito distante eu parecia ter tanto tempo, uma vida inteira pela frente.
Engoli em seco com o gosto amargo do analgésico na boca. Eu só queria um pouco mais de tempo, eu só queria um milagre daqueles.
-Você acredita em milagres mãe?
Perguntei a ela dias antes que meu lindo se apaixonasse por mim.
-Bom, não sei, nunca vi um de perto.
Agora ela acreditava, escutava minha mãe orando noites e noites a fio, prometendo mil coisas pra me ver curada.
"Essas coisas não existem mãe. "
Eu não podia falar nada, essa era a única forma dela aguentar o tranco. Eu não queria morrer, eu estava com medo, mas eu fingia que não, por que esse era o meu destino. Agente não merecia isso.

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